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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aproveitadores casam Gringos?

Título original:
Casada com estrangeiros
Autora: Denise Arcoverde


Atendendo a pedidos (via enquete! hehehe) vou tecer algumas considerações sobre o que eu acho que é a vida de casada com um estrangeiro…

Como vocês percebem, sou muito feliz com Ted. Mas, somos mais velhos, mais pacientes, estamos no segundo casamento, isso tudo pesa muito. Não temos problemas pelas nossas diferenças culturais porque aprendemos a lidar com elas. Partimos do princípio de que temos que ter respeito total e absoluto pela cultura um do outro, mesmo que sejam coisas que possam nos parecer absurdas e exdrúxulas.

Já pras meninas, em geral muito novas, que se casam com gringos, não deve ser fácil. Se eu tivesse encontrado Ted aos 20 anos as chances de dar certo seriam muito menores. Os hormônios em ebulição a as diferenças culturais enormes, devem causar algumas crises, e eu só diria pra ter paciência e muito respeito um pelo outro, com o tempo as coisas se acalmam.

Mas tudo isso a gente aguenta. O que incomoda mesmo, a mim e a todas as meninas que eu conheço (aí não tem diferença de idade), são os preconceitos de que somos vítimas!
Eu me apaixonei por Ted pelo que ele é, independente da sua nacionalidade. Porque temos muitas afinidades; gostamos (mais ou menos) das mesmas coisas; trabalhamos, os dois, com amamentação; a base do nosso casamento é o encontro de dois seres humanos, independentes de onde nascemos.


No entanto, uma coisa que a gente aprende ao casar com um estrangeiro é que as bases de julgamento das pessoas, em muitos casos, se dão exclusivamente pelo fato de termos nascidos em países diferentes. No caso, nós em um país “pobre” e eles em países “ricos”.
Não interessa se foi amor à primeira vista, se existem afinidades, se existe toda uma história que as pessoas desconhecem. Também não importa se, muitas vezes, nós costumávamos ter um padrão de vida bem melhor ou mais fácil (eu, por exemplo, tinha motorista, empregada, secretária), no Brasil. Ou que tenhamos o mesmo nível educacional ou profissional dos nossos companheiros.
Somos sempre as “aproveitadoras”. As que estavam procurando se dar bem e “pegaram um gringo idiota”. E eles são os gringos que estavam procurando uma “latina caliente”. Eles são rotulados pela sua suposta “riqueza” e nós somos rotuladas pela nossa suposta “competência na cama” ou nossa “subserviência”.
O pior é que esse preconceito existe, não apenas lá fora, mas mesmo no Brasil. Conheci uma brasileira, na Suécia, negra e linda, que morre de medo de voltar pra sua cidade, porque lá o comentário era que ela estava fazendo programa a 10 dólares a hora! Ela está muito bem, com um namorado que gosta muito dela e cuja familia a trata com todo respeito. Mas, por ser negra e, talvez, com condições financeiras não tão boas, era essa a imagem dela no seu próprio país.
Mesmo que não se chegue, sempre, a extremos como esse, todas nós já percebemos um olhar meio atravessado, no Brasil ou no país que escolhemos para viver.


Ted já teve amigos dizendo, num tom malicioso, como ele é sortudo por ter casado com uma brasileira. Eu nunca experimentei nada direto, mas já vi homens fazerem um arzinho “estranho” (do tipo “se deu bem”) ao saber que casei com um estrangeiro.
Existe uma crença, no Brasil, de que casar com um gringo é “acertar na loteria”. Isso não podia estar mais longe da verdade. Muitas vezes, as meninas vão viver, com seus namorados, na Europa, uma vida muito mais difícil do que tinham no Brasil.
A vida, na Suécia, por exemplo, é muito austera. Ninguém passa fome, é verdade, mas ninguém esbanja dinheiro, também. Os salários costumam ser baixos pro altíssimo custo de vida e juntar dinheiro pra viajar, por exemplo, pode ser muito difícil. O Estado garante o básico pra você, mas você tem que se acostumar a manter um padrão de vida bem mais baixo que muita gente de classe média tem no Brasil.
Ainda tem a saudade, adaptação ao clima e às pessoas, a luta para conseguir emprego, estudar a língua. Não tem nada de glamuroso, nessa nova vida, não.