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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

NO FUTURO SEREMOS GRINGO

Autor: Ricardo Lobo
Com raízes em Ipanema, ele é proprietário da Veltra, conceituada fábrica de equipamentos e acessórios para surfistas, que atua no mercado desde 1984.Ricardo Lobo, empresário carioca e ex-competidor, apresenta uma reflexão sobre o complexo de vira-lata dos brasileiros.
Com vocação comprovada na redação de crônicas que envolvem o universo do surf, Lobo envia-nos esta valiosa colaboração em texto. Confira abaixo.

Confesso que não tinha intenção de escrever sobre este assunto com receio de tratar de algo muito clichê, mas todas as vezes que vou pegar onda ou trabalhar no mercado do surfe escuto alguém pronunciar a palavra “gringo”.
No início, distraidamente, achava que gringo era sinônimo de estrangeiro, mas como nunca chamamos peruano ou argentino de gringo, descartei tal hipótese.

A cena que presenciei recentemente durante a venda de uma prancha em uma loja de surfe me fez escrever esta coluna. Ora, de onde vem essa mania de falar que isto ou aquilo é gringo? De onde vem essa palavra?
Do México. Isso mesmo, a origem da palavra “gringo” vem do México. Surgiu durante os conflitos entre o país e os Estados Unidos. Na ocasião, soldados americanos invadiram o território mexicano vestidos de verde enquanto a população local gritava “green go away”, pedindo que os yankees fossem embora.

Já no Brasil, precisamente no surfe brasileiro, a palavra gringo apesar de continuar tendo significado de exclusão parece seguir caminho oposto. Aqui nós é que temos que ir embora, eles ficam.
Eles ficam! Ora, eles quem? Os americanos? Vamos parar com esta história de sempre culpar os americanos por nossas desilusões. Já bastam os surtos do nosso querido vizinho Hugo Chávez.

A pergunta persiste: Quem são eles, então? Os australianos, os havaianos, os mexicanos? Sinceramente, também não sei responder quem são eles. Mas posso responder com segurança quem não são. Gringo no surfe brasileiro é um conceito de exclusão.

Quando pegamos uma prancha brasileira muito boa nas mãos dizemos: “Nossa, esta pranchinha é gringa!” Quando chegamos à praia e vemos um cara quebrando uma onda elogiamos: “Nossa, o cara tá com surfe de gringo!” Até quando o nosso mar está bom afirmamos: “O mar está gringo, altas ondas!”.

Exemplos não faltam. Nos últimos dez anos trabalhando com surfe, confesso que escutei tais comentários quase todos os dias, de Norte a Sul do país. De tanto ouvir, cheguei à conclusão de que o conceito de gringo no surfe brasileiro consiste em: tudo aquilo que não é brasileiro possui alta qualidade. Ou seja, não se trata apenas de um conceito de exclusão, na verdade, de auto-exclusão.

Vamos testar nosso conceito. Veja o exemplo acima em que chegamos à praia, vemos um cara quebrar uma onda e elogiamos: “Nossa, o cara tá com surfe de gringo!” Se o cara fosse um estrangeiro, tudo bem, estaria resolvido. De supostos preconceituosos, passaríamos a entendidos do assunto. Mas não é o caso. No exemplo citado sabemos que o cara é brasileiro, afinal, admitimos que ele “está com surfe de gringo”. Neste caso, para melhor compreensão do que queremos dizer, devemos pegar o surfista e separá-lo do nível de surfe que ele possui. Ou seja, o surfista é brasileiro e o surfe dele é de é gringo. Em outras palavras, não temos dúvida que o surfista do exemplo jamais será gringo. Nasceu e é reconhecido como brasileiro, mas naquele determinado momento, por conseguir alta qualidade, ele se superou e fez um surfe gringo. O surfe dele foi promovido a gringo, mas ele, coitado, continua a ser brasileiro.

O mesmo se dá no exemplo da prancha. Quando pegamos a prancha já sabemos que é brasileira, já vimos a marca. Como a tal da prancha está muito bem feita, dizemos que ela tem alta qualidade como as gringas.

Coitada da prancha, já está pronta e em nossos braços. Nasceu e foi condenada a ser brasileira para sempre, mas como somos pessoas justas damos a ela uma espécie de selo de qualidade de: “não brasileira”.
Aliás, com tanta qualidade, chamá-la de brasileira seria uma injustiça, uma ofensa. “Nossa, essa pranchinha está gringa!” Mais uma vez, assim como no exemplo do surfista, separamos a prancha de sua qualidade. Ora, mas vamos com calma! Lembre-se, não é uma prancha gringa e sim uma brasileira que se superou.
Seguindo esta opinião tão consolidada no surfe brasileiro, creio que no futuro conseguiremos nos comunicar de forma mais clara e objetiva. Só então vamos afirmar em nosso dia a dia que nossos surfistas, pranchas e ondas já podem ser consideradas “não brasileiras”. Ficaria mais ou menos assim: “Nossa! Você viu as ondas do Adriano de Souza ontem no WCT? Ele está pegando muito, parece até um não-brasileiro.”
Desta forma, fica claro percebermos que existe a muitos anos no surfe brasileiro um critério de qualidade pré-estabelecido e dividido em três níveis. São eles: “brasileiro”, “não-brasileiro” e “gringo”.
O nível “brasileiro”, que tanto dizem por aí, é o nível básico que sempre nos contemplamos. O nível “não-brasileiro” é aquele que atingimos quando conseguimos nossa auto-superação como vimos acima no exemplo da prancha.

Com relação ao “nível gringo”, sinto informar que graças ao sentimento que prevalece em nosso país, tal nível jamais será alcançado por nós brasileiros. Teremos sempre que nos contentar em sermos brasileiros e no máximo, em nossos dias mais brilhantes, podemos nos promover a “não-brasileiros”. Que pena, não é verdade? Jamais seremos gringos.
Aliás, a culpa é nossa. Fomos nós que criamos tal preconceito, ou melhor, auto-preconceito. Fomos nós que começamos a chamar “eles” de gringos. Respondendo a pergunta do início do texto: quem são eles? “Eles” são todos ou outros que não somos.
Até aí tudo bem. Mas o problema é que agora queremos ser “eles”. Usar as pranchas deles, se vestir como eles. Nossa, que loucura! Será que isso é possível?

Claro! Não fiquem tristes! São nesses momentos que nosso jeitinho brasileiro sempre aparece para nos salvar. É muito fácil. Custa um pouco mais caro, mas garanto que dá certo. Só tem que ter fé, acreditar de verdade!

Compre uma revista de surfe, pode ser brasileira mesmo não tem problema, veja um anúncio de uma marca gringa e o endereço de uma surf shop mais próxima de sua casa. Vá até lá e compre uma prancha gringa.
Pronto, resolvido! Quando você chegar à praia todo mundo vai achar, pelo menos por alguns instantes, que você é um gringo. Todo mundo vai elogiar a sua prancha gringa e dizer que você evoluiu muito por causa da prancha. Ora, se deu certo com um surfista brasileiro do WCT, porque não vai dar certo com você?

Se você não é surfista, não se desespere! Você pode comprar uma camisa, uma bermuda e um tênis gringo. Garanto que assim você será um gringo, será aceito em todos os lugares e o “mundo” do surfe brasileiro ficará feliz com você. Afinal, você é o mais importante, o que faz mover toda essa engrenagem.


domingo, 17 de outubro de 2010

Brasileiros em busca de sexo no Gringolândia

No "Manual do Cafajeste" (pra Mulheres) encontramos essa historia:
Titulo original:
Brasileiros no exterior (part I)


Essa última viagem que fiz foi um pouco diferente das que eu estava habituado. Isso porque,
como vocês já sabem, eu estou namorando e ir para o exterior compromissado nunca esteve nos meus planos. O que não quer dizer que eu só viajava com o único intuito de comer uma gringa, mas digamos que era algo que me atraia. Agora nessa viagem, eu aproveitei o meu “estado civil” para aprofundar minha análise como espectador e não ator.
Bom, antes de viajar para Budapeste, uns amigos que moram lá e que me abrigaram em sua casa já tinham cantado a bola, “Cafa, se prepara que isso aqui é uma Babilônia”. Achei que fosse mais um daqueles tantos “alertas” que eu recebia antes de viajar para fora, mas que ao chegar ao local era tudo balela. Porém, não foi o caso.
Assim que cheguei na sexta-feira a noite, eles já me colocaram em um esquenta e começaram a contar as histórias de putaria. Por incrível que pareça, as húngaras e gringas em Budapeste são muito mais fáceis e acessíveis que as brasileiras, mas eu ainda acreditava que aquilo era conversa de brasileiro, eu precisava ver pra crer. E vi.
No dia seguinte, a única coisa que eu pensava era, essa garota deve estar morrendo de vergonha e vai se jogar da janela quando se lembrar o que fez. Mas que nada! As duas tomaram café da manhã com a gente na sala e rasgaram elogios para os brasileiros, “Olha o corpo de vocês, olha os olhos, vocês tem pegada, tem sensualidade”. Apesar de eu não ter pegado, nem preciso dizer que depois de tantas viagens malfadadas, senti uma pontinha de
felicidade e orgulho de macho bobo brasileiro.Fomos a uma balada que fica embaixo do prédio deles. Eram 6 brasileiros e sempre que algum colava em uma húngara ou gringa e falava que era brasileiro, ouvia-se uns gritinhos e risos maliciosos. O grande truque não era iniciar uma conversa ou falar frases bonitas, era chegar encoxando, mostrando virilidade e jogo de cintura, isso adido ao fato de ser brasileiro, já garantia 80% de sucesso na empreitada. 3 dos brasileiros se engraçaram com duas irlandesas e de repente sumiram do lugar. Eu e mais dois ficamos mais um tempo bebendo e resolvemos voltar para o apartamento. Ai eu vi a Babilônia.
Vou poupar vocês de cada detalhe, mas em linhas gerais, um dos brasileiros levou uma irlandesa para o quarto e ficou por lá. Sim, a matemática não fecha. Sobraram 2 brasileiros e uma irlandesa. Digamos que os 3 se entenderam no meio da sala e ao chegar pude observar de camarote que a garota parecia um ama de leite sentada na mesa e amamentando dois homenzarrões. Eu e os outros 2 brasileiros caímos na gargalhada com a cena e ela ainda nos convidou para participar, mas ignoramos.
No mesmo dia fomos ao shopping e mais massagem de ego estava por vir. Não quero bancar o gostosão e achar que sou uma parada, mas estava impossível. Juro para vocês, de 10 garotas que passavam, 8 olhavam com cara de safada e desejo e 5 mexiam ou seguiam. Um dos caras que mora lá me disse que não era incomum ele conhecer uma garota na rua e já levar pra casa para finalizar. Ai eu quis entender essa mecânica e o motivo das mulheres serem tão fáceis lá (sendo que são maravilhosas) e alguns lugares (como no Brasil) as mulheres serem tão difíceis (e muitas vezes meia boca).
Percebi que os homens lá são lerdos, não carinhosos e sem pegada, quase não chegam nas mulheres. E por isso, elas precisam ser mais ativas (e segundo os brasileiros, são ativas até na cama) e ai ficam todas derretidas quando chega um cara com mais pegada e gentil. Já no Brasil, grande parte dos homens vai com sangue nos olhos na mulherada, a concorrência e disputa são grandes e ai aquela garota que não é tudo isso, é mais exigente com os homens que se aproximam.
Outro ponto que me chamou a atenção é que muitas mulheres “fáceis” lá, são extremamente inteligentes e articuladas. Em uma das noites teve uma festa de despedida de um cara lá e em um determinado momento ficamos conversando (homens e mulheres) na cozinha. Fiquei impressionado. A maioria das “piriguetes húngaras” tinha cérebro e sabia conversar desde política até assuntos do cotidiano internacional. Eu ficava pensando comigo, quando que no Brasil isso seria possível. Piriguete aqui no máximo vai saber discutir sobre o último eliminado do BBB.

E por falar em mulheres no exterior, tive um gostinho do que são algumas mulheres brasileiras vivendo na Europa e porque a fama delas cresce lá. O meu vôo de volta de Milão para São Paulo foi um circo. Havia uma dezena de travestis e mulheres vulgares embarcando. Uma delas parecia um outdoor ambulante brasileiro vestindo do tênis ao gorrinho roupas com a bandeira do Brasil, outras com os peitos pulando para fora do decote em uma cidade que fazia -2 graus Celsius, sem contar a imensa massa de oxigenadas-salto alto-barriga de fora-masca chiclete.
Já dentro do avião, como estava friozinho, coloquei um casaco bonitão que comprei na Eslováquia. Ao sentar na poltrona percebi uma movimentação irrequieta na poltrona ao lado. Tinha um judeu na ponta e ao lado dele uma oxigenada-salto alto-barriga de fora-masca chiclete. A garota tentava puxar assunto com o coitado, mas como ele parecia ortodoxo, não dava muita bola. Logo, percebi que ela queria me incluir na conversa, mas eu não estava com o mínimo saco de falar sobre o carnaval em Olinda (onde ela iria passar) e demais assuntos banais de um cérebro atrofiado.
Infelizmente se tornou impossível a não comunicação com ela, pois devido ao meu casaco, ela achou que eu fosse gringo e começou a tentar falar inglês (sofrível) comigo. Ao perceber que eu era brasileiro, ela me passou o seu Ipodre para ouvir uma música especial “I got a feeling”, dando a entender que a noite seria “a good good night” cantada safada, mas bem sacada. Levantei para tomar um vinho atrás do avião e ela veio atrás…