segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ORKUT: BOBAGEM BRASILEIRO

Titulo original:
10 motivos porque os gringos acham que amamos o Orkut
Texto: Isaías Malta


Ninguém entende porque o Orkut só deu certo no Brasil e na Índia, será que a simples explicação da devassidão das nossas mulheres e o voyeurismo dos nossos homens e os deles (em espionar as nossas) é suficientemente forte para explicar tamanho sucesso? Quem responder cabalmente a estas perguntas, pode entrar em contato com o Google que será contratado a peso de ouro, pois o que eles mais procuram nestes momentos é encontrar as chaves de uma Rede Social perfeita que agrade gregos e troianos, algo como um segundo pulo do gato do Facebook.

Usuários de Orkut 2010
Flag of Brazil.svg Brasil 48.0%
Flag of India.svg Índia 39.2%
Flag of the United States.svg Estados Unidos 2.2%
Flag of Japan.svg Japão 2.1%
Flag of Pakistan.svg Paquistão 1.0%
Outros 5.3%


Então, veja a seguir o que os gringos pensam sobre o nosso fascínio orkutiano, que com apenas dois países no seu portfólio conquistou 110 milhões de almas, posição onde estancou e de onde nunca mais foi para frente.

1) Os brasileiros são tão incrivelmente gregários, que poderíamos defini-los como tribalistas. Lá as pessoas tendem a se organizar em grupos homogêneos que compartilham interesses comuns: fãs de Heavy Metal, evangélicos, sambistas, macumbeiros, funkeiros, simpatizantes/odiadores do PT, cultuadores da Skol ou Kaiser, etc.

2) O grande forte do Orkut é a facilidade de criação das “comus”, que tanto caíram no gosto dos internautas, que a maioria dos orkutianos aderem a dezenas e até a centenas dessas comunidades que tratam de todos os assuntos, desde os nonsense aos mentecaptos: Paixões: comer, meus amigos – Eu vejo siri onde não tem – Eu sou muito louco – Libertação dos Anões de Jardim – Eu nunca tive um gorila – Eu tenho ódio platônico – O olhinho que vê tudo me viu – Nunca apanhei de um canguru.

3) Brasileiros gostam de “tudo que é seu” e tem orgulho daquilo que são bons, futebol, música, cultura, predominância econômica na América do Sul, etc. No momento que souberam que os gringos haviam abandonado em massa e que o Orkut se tornara praticamente “brasileiro”, aderiram com mais entusiasmo.

4) A palavra Orkut é extremamente fácil de ser pronunciada em português, diferentemente de Facebook, MySpace, Twitter, Yahoo, etc. Quando os brasileiros pronunciam “Orkut”, acentuam o T final, cujo resultado é o sonoro “ti”, ou seja, vira uma palavra fácil de pronunciar e lembrar na próxima vez que sentam na frente do computador (eles realmente nos tomam como macacos!).

5) Há uma enorme semelhança fonética entre as palavras Yakult e Orkut. Ora, sabe-se que a maioria das crianças brasileiras costuma beber este popular leite fermentado de origem japonesa, o que rendeu popularidade, não intencionalmente planejada, à Rede Social do Google.

6) Os brasileiros são extremamente desconfiados, em virtude das pressões exercidas pelas gritantes diferenças sociais. Neste contexto, o Orkut lhes oferece ferramentas efetivas (fuçar antes no perfil dos outros) de avaliação prévia dos potenciais novos amigos.

7) Os brasileiros são extremamente exibicionistas (principalmente as mulheres) e pouco se importam com configurações de privacidade na Internet. Acrescente-se a isto a vocação voyeurista dos homens que tem a mania de ficar fuçando nos perfis femininos para descobrir novas oportunidades sexuais, e temos o prato cheio da preferência nacional pelo Orkut. (Quem navega pelos álbuns de fotos do Orkut sabe do que os gringos estão falando.)

8) Um dos grandes entraves a separar o Brasil das nações desenvolvidas é o fato de ser um dos campeoníssimos mundiais de péssima distribuição de renda. Ora, o corolário disto é o fracasso acachapante do sistema educacional, que unido à desgraça do país ter mais de 50 milhões de pobres, trouxe à lume a classe dos chamados “excluídos digitais”. Logo, neste dantesco cenário de precária cultura informacional, o Orkut caiu como uma luva, cuja interface simples e intuitiva contrasta com a complexa operacionalidade do Facebook, que fica parecendo um painel de controle da NASA. (Mexer no Orkut é Mara!)

9) Os brasileiros são tão leais a marcas e produtos (ignorantes?), que compram impulsivamente antes de pesquisar na Internet as impressões dos outros usuários sobre aquele produto. Tal fidelidade cega explica simultaneamente o sucesso do Orkut e da bomba fotográfica chamada Tekpix.

10) No Brasil, o sistema de buscas do Google é uma das maiores unanimidades do mundo, sendo percentualmente mais usado neste país do que nas terras do Tio Sam. Seria este uso massivo o fator alavancador do tremendo sucesso do Orkut?

Logicamente, que junto aos pensamentos dos gringos embuti os meus próprios, pois eles jamais terão uma leitura suficientemente ladina da nossa realidade que lhes permita compreender as nossas complexas percepções, paradoxalmente anti-cosmopolitas e desejosas de relacionamentos com estrangeiros.

Por mais que os gringos questionem, não conseguem vislumbrar as razões lógicas do Orkut ter decolado apenas no Brasil e Índia. Os reais motivos, provavelmente ligados às peculiares idiossincrasias locais, talvez nunca venham a ser completamente elucidados, o que tem obstaculizado a voracidade do Google em criar uma Rede Social de penetração realmente global, que pelo menos repita o meio bilhão de almas amealhado pelo Facebook.

Quem souber objetivamente tais respostas, certamente estará multimilionário da noite para o dia, como conseguiu fazer Mark Zuckerberg quando criou o Facebook, aquilo que poderá se tornar a ruína do Google.

Referências:
» Why Brazil loves Orkut!
» Social Network World Map: Why do Indians & Brazilians love Orkut?

Um tal Natália teve o seguinte comentário:
"Orkut é falta de cultura. Há pessoas que têm 2, 3 perfis lá e acham que quanto mais gente ter, mais legal ela é. E nem se importam com a qualidade de pessoas adicionando elas, fakes, pessoas que se acham. Ah, sem contar aquelas pessoas que fazem propaganda grátis de marcas de roupas/sapatos acessórios, tipo "Oakley" entre outros que não quero divulgar de graça. Sinceramente, brasileiros no orkut, só tem putaria, babaquice, burrice e tudo que é ruim. Raras exceções que se salvam."

E um Anônimo diz:
"O decimo-primeiro motivo: No Brasil a grande maioria das pessoas é idiota, daí a facilidade de gostar de uma bosta como o Orkut."

Um tal Daniel comentou:
"Gosto do Orkut pela interface simples e a existência de comunidades, que é uma idéia muito boa.
O problema é a banalização de contas e a P*TARIA que tomou conta da coisa, é uma pena mesmo.
Tenho Facebook tb, não falo mal de nada, mas o povo tem que parar de ser paga-pau dos gringos.
"


sábado, 23 de outubro de 2010

QUE GRINGO ESTRESSADO ?

Brasileiro é o segundo povo mais estressado do mundo!

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Associação Internacional de Controle do Estresse (Isma, sigla em inglês), os brasileiros ocupam o segundo lugar no ranking do povo mais estressado do mundo. O primeiro lugar é ocupado pelos japoneses.


O estresse está entre uma das mais frequentes doenças da modernidade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno já é considerado o mal do século XXI.


A agitação da vida moderna, a competitividade, a violência, o bombardeio de informações, as frágeis relações sociais e amorosas estão entre os principais fatores para o desenvolvimento do estresse, que vem sendo considerado o responsável pelo aparecimento de muitas doenças crônicas.


A pesquisa, realizada pela representante brasileira da associação, aponta que mais de 50% das mortes estão ligadas a doenças desencadeadas pelo estresse. É cada vez maior a associação do distúrbio com doenças, como câncer, hipertensão, enfarte, úlceras e diabetes. Hábitos saudáveis, praticados desde a juventude, podem ser o segredo para impedir a manifestação do transtorno.


O estresse pode se manifestar de diferentes maneiras. Em geral, começa com mudanças insignificantes nos sentimentos, pensamentos, ações e reações físicas. O estresse é uma doença silenciosa e, por isso muitas vezes de difícil diagnóstico.
Fonte: Isaude.net


Será que esse fato complica ainda mais o adaptação do Gringo ao Brasil? Não é, como varias pessoas acreditam, o gringo que sempre anda estressado nas ruas brasileiras?


Como citado no texto encima: “as frágeis relações sociais e amorosas” estão entre os principais causadores desse estresse. Se esses nativos já têm problemas entre se mesmo, como isso efetua um relacionamento com um gringo? E a adaptação do brasileiro lá fora? É o gringo mesmo, o é o brasileiro que tem que aprender olhar no espelho?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

BRASILEIROS SE SENTINDO "GRINGO" !

Titulo original:
Os dez mandamentos do Turista metrópoles Asiáticas
Autor: Adriana Setti

Para sentir na pele, tente se transportar ao seguinte cenário.


Você é gringo, tem cara de gringo, jeito de gringo e roupa de gringo. Além disso, você só arranha um “por favor” e um obrigado” em português. E indefeso como um pintinho, acaba de ser despejado no centro de São Paulo ou, quem sabe, em pleno Rio de Janeiro. Com um mísero guia na mão – escrito por um gringo como você –, a sua missão é encontrar um hotel bom e barato e, claro, tentar descobrir os segredos (entre outros motivos, para postar num blog chamado “Achados”) da cidade sem ser massacrado por ela.


Parece pesadelo? Pois mochilar pelo outro lado do mundo e aterrissar em Bangcoc (capital da Tailândia), Ho Chi Minh City (a São Paulo do Vietnã), Hanói (capital vietnamita), Kuala Lumpur (a capital da Malásia) , Phnom Penh (capital do Camboja) e outras metrópoles asiáticas é exatamente quase a mesma coisa. Abre parênteses: com a vantagem de que, pelo menos, assaltar albergue com granada na mão nem passa pela cabeça da patota do olho puxado, graças a Buda, Shiva e Alá. Fecha parênteses.


Com a cabeça calejada de levar pancada, tentei elaborar o rascunho dos dez mandamentos do turista urbano na Ásia (que eu mesma prometerei de joelhos não infringir, sob pena de acabar novamente no inferno).


Vai por mim que você vai se dar bem (ou, sendo mais modesta, pelo menos não vai se dar tão mal):


1. Jamais chegarás sem reservar um lugar para dormir na primeira noite… caso contrário, serás uma ovelha num mundo de lobos famintos: taxistas inescrupulosos que ganham comissões de espeluncas, hotéis que cobram um absurdo de gringos desesperados, tuk-tuks que custarão os olhos da cara, etc.


2. Uma vez reservado um lugar para ficar, tentarás descolar um transporte grátis do aeroporto/rodoviária…ou ao menos procurarás saber o preço máximo da corrida de táxi/tuk tuk/mula/camelo até o destino desejado.


3. Jamais reservarás um lugar para ficar por mais tempo (além dessa primeira noite crucial) sem ver o quarto antes… a menos que o seu melhor amigo o tenha indicado e SE ele houver estado no mesmo lugar muito recentemente. Caso contrário, ainda que você tenha vasculhado o Trip Advisor e o Travel Fish, um obra monumental pode ter começado no dia anterior (isso aconteceu comigo em Phnom Penh, Hanói e Luang Prabang), e outros micos arrasa-férias típicos de cidades em constante transformação.


4. Usarás e abusarás de sites de desconto para hotéis como o Wotif, que tem ofertas espetaculares em estabelecimentos de categoria três estrelas para cima e é focado principalmente nas cidades maiores.


5. Tentarás com todas as forças não chegar à noite, quando tudo sempre parece mais assustador e difícil.


6. Levarás uma boa quantidade de dinheiro vivo, já que apesar de toda a aura de modernidade que paira sobre as grandes cidades asiáticas, o cartão de crédito só é aceito nos restaurantes e hotéis mais caros – e olhe lá (isso deve ser levado a sério principalmente em Hanoi e Bangcoc) – e, muitas vezes, com o acréscimo de taxas absurdas (até 6%!) .


7. Serás valente ao negociar com taxistas e tuk-tuks antes de alojar-se confortavelmente no banco de trás… caso contrário uma corrida poderá custar dez vezes o que pagaria um local.


8. Visitarás o mercado central sem medo de provar os pratos locais (mas levarás no kit de primeiros socorros um bom sal de frutas e um imosec).


9. Aderirás ao método local ao atravessar a rua, ou ficarás para sempre no preso no mesmo quarteirão.


10. Irás com as suas próprias pernas à embaixada de um país vizinho caso precise de um visto para a sua próxima empreitada, ao invés de entregar o seu amado passaporte a uma agência qualquer (mesmo que a atendente fale inglês perfeitamente, tenha cara de bonequinha e pareça ser incapaz de fazer uma maldade).



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

GUIA TURISMO SEXUAL ?

Assista esse vídeo polêmico, e comente!

Sobre o guia "Rio for Partiers" (Rio pra Festeiros) do autor Cristiano Nogueira,

que a Embratur solicitou seu recolhimento por considerar que o livro
estimulava o turismo sexual e expunha “o povo brasileiro a situação vexatória”,
o guia ressurge nas prateleiras das livrarias cariocas. O leitor, porém,
não irá encontrar ali as três páginas que causaram a revolta do governo,
onde o autor classificava as mulheres cariocas por estilos,
descrevendo, segundo o tradutor que os caras da Embratur foram arrumar,
o grupo das “popozudas” como ”máquinas de sexo”!





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

NO FUTURO SEREMOS GRINGO

Autor: Ricardo Lobo
Com raízes em Ipanema, ele é proprietário da Veltra, conceituada fábrica de equipamentos e acessórios para surfistas, que atua no mercado desde 1984.Ricardo Lobo, empresário carioca e ex-competidor, apresenta uma reflexão sobre o complexo de vira-lata dos brasileiros.
Com vocação comprovada na redação de crônicas que envolvem o universo do surf, Lobo envia-nos esta valiosa colaboração em texto. Confira abaixo.

Confesso que não tinha intenção de escrever sobre este assunto com receio de tratar de algo muito clichê, mas todas as vezes que vou pegar onda ou trabalhar no mercado do surfe escuto alguém pronunciar a palavra “gringo”.
No início, distraidamente, achava que gringo era sinônimo de estrangeiro, mas como nunca chamamos peruano ou argentino de gringo, descartei tal hipótese.

A cena que presenciei recentemente durante a venda de uma prancha em uma loja de surfe me fez escrever esta coluna. Ora, de onde vem essa mania de falar que isto ou aquilo é gringo? De onde vem essa palavra?
Do México. Isso mesmo, a origem da palavra “gringo” vem do México. Surgiu durante os conflitos entre o país e os Estados Unidos. Na ocasião, soldados americanos invadiram o território mexicano vestidos de verde enquanto a população local gritava “green go away”, pedindo que os yankees fossem embora.

Já no Brasil, precisamente no surfe brasileiro, a palavra gringo apesar de continuar tendo significado de exclusão parece seguir caminho oposto. Aqui nós é que temos que ir embora, eles ficam.
Eles ficam! Ora, eles quem? Os americanos? Vamos parar com esta história de sempre culpar os americanos por nossas desilusões. Já bastam os surtos do nosso querido vizinho Hugo Chávez.

A pergunta persiste: Quem são eles, então? Os australianos, os havaianos, os mexicanos? Sinceramente, também não sei responder quem são eles. Mas posso responder com segurança quem não são. Gringo no surfe brasileiro é um conceito de exclusão.

Quando pegamos uma prancha brasileira muito boa nas mãos dizemos: “Nossa, esta pranchinha é gringa!” Quando chegamos à praia e vemos um cara quebrando uma onda elogiamos: “Nossa, o cara tá com surfe de gringo!” Até quando o nosso mar está bom afirmamos: “O mar está gringo, altas ondas!”.

Exemplos não faltam. Nos últimos dez anos trabalhando com surfe, confesso que escutei tais comentários quase todos os dias, de Norte a Sul do país. De tanto ouvir, cheguei à conclusão de que o conceito de gringo no surfe brasileiro consiste em: tudo aquilo que não é brasileiro possui alta qualidade. Ou seja, não se trata apenas de um conceito de exclusão, na verdade, de auto-exclusão.

Vamos testar nosso conceito. Veja o exemplo acima em que chegamos à praia, vemos um cara quebrar uma onda e elogiamos: “Nossa, o cara tá com surfe de gringo!” Se o cara fosse um estrangeiro, tudo bem, estaria resolvido. De supostos preconceituosos, passaríamos a entendidos do assunto. Mas não é o caso. No exemplo citado sabemos que o cara é brasileiro, afinal, admitimos que ele “está com surfe de gringo”. Neste caso, para melhor compreensão do que queremos dizer, devemos pegar o surfista e separá-lo do nível de surfe que ele possui. Ou seja, o surfista é brasileiro e o surfe dele é de é gringo. Em outras palavras, não temos dúvida que o surfista do exemplo jamais será gringo. Nasceu e é reconhecido como brasileiro, mas naquele determinado momento, por conseguir alta qualidade, ele se superou e fez um surfe gringo. O surfe dele foi promovido a gringo, mas ele, coitado, continua a ser brasileiro.

O mesmo se dá no exemplo da prancha. Quando pegamos a prancha já sabemos que é brasileira, já vimos a marca. Como a tal da prancha está muito bem feita, dizemos que ela tem alta qualidade como as gringas.

Coitada da prancha, já está pronta e em nossos braços. Nasceu e foi condenada a ser brasileira para sempre, mas como somos pessoas justas damos a ela uma espécie de selo de qualidade de: “não brasileira”.
Aliás, com tanta qualidade, chamá-la de brasileira seria uma injustiça, uma ofensa. “Nossa, essa pranchinha está gringa!” Mais uma vez, assim como no exemplo do surfista, separamos a prancha de sua qualidade. Ora, mas vamos com calma! Lembre-se, não é uma prancha gringa e sim uma brasileira que se superou.
Seguindo esta opinião tão consolidada no surfe brasileiro, creio que no futuro conseguiremos nos comunicar de forma mais clara e objetiva. Só então vamos afirmar em nosso dia a dia que nossos surfistas, pranchas e ondas já podem ser consideradas “não brasileiras”. Ficaria mais ou menos assim: “Nossa! Você viu as ondas do Adriano de Souza ontem no WCT? Ele está pegando muito, parece até um não-brasileiro.”
Desta forma, fica claro percebermos que existe a muitos anos no surfe brasileiro um critério de qualidade pré-estabelecido e dividido em três níveis. São eles: “brasileiro”, “não-brasileiro” e “gringo”.
O nível “brasileiro”, que tanto dizem por aí, é o nível básico que sempre nos contemplamos. O nível “não-brasileiro” é aquele que atingimos quando conseguimos nossa auto-superação como vimos acima no exemplo da prancha.

Com relação ao “nível gringo”, sinto informar que graças ao sentimento que prevalece em nosso país, tal nível jamais será alcançado por nós brasileiros. Teremos sempre que nos contentar em sermos brasileiros e no máximo, em nossos dias mais brilhantes, podemos nos promover a “não-brasileiros”. Que pena, não é verdade? Jamais seremos gringos.
Aliás, a culpa é nossa. Fomos nós que criamos tal preconceito, ou melhor, auto-preconceito. Fomos nós que começamos a chamar “eles” de gringos. Respondendo a pergunta do início do texto: quem são eles? “Eles” são todos ou outros que não somos.
Até aí tudo bem. Mas o problema é que agora queremos ser “eles”. Usar as pranchas deles, se vestir como eles. Nossa, que loucura! Será que isso é possível?

Claro! Não fiquem tristes! São nesses momentos que nosso jeitinho brasileiro sempre aparece para nos salvar. É muito fácil. Custa um pouco mais caro, mas garanto que dá certo. Só tem que ter fé, acreditar de verdade!

Compre uma revista de surfe, pode ser brasileira mesmo não tem problema, veja um anúncio de uma marca gringa e o endereço de uma surf shop mais próxima de sua casa. Vá até lá e compre uma prancha gringa.
Pronto, resolvido! Quando você chegar à praia todo mundo vai achar, pelo menos por alguns instantes, que você é um gringo. Todo mundo vai elogiar a sua prancha gringa e dizer que você evoluiu muito por causa da prancha. Ora, se deu certo com um surfista brasileiro do WCT, porque não vai dar certo com você?

Se você não é surfista, não se desespere! Você pode comprar uma camisa, uma bermuda e um tênis gringo. Garanto que assim você será um gringo, será aceito em todos os lugares e o “mundo” do surfe brasileiro ficará feliz com você. Afinal, você é o mais importante, o que faz mover toda essa engrenagem.